Uma faixa que aumenta de largura, apresenta cores variadas, tem bordas irregulares ou se estende para a pele próxima merece atenção especial.
Também é importante observar se a pigmentação aparece em uma única unha e se existe alguma explicação plausível, como um trauma.
Não é possível determinar a natureza de uma faixa pigmentada apenas por uma fotografia.
O que fazer: procure um dermatologista diante de uma faixa escura nova ou em transformação, principalmente se ela estiver aumentando ou atingindo a pele ao redor da unha. Não espere que a alteração desapareça por conta própria.
14. ÍNGUAS OU NÓDULOS QUE PERSISTEM
Os linfonodos, popularmente conhecidos como ínguas, fazem parte do sistema imunológico.
Eles podem aumentar de tamanho durante infecções e outras respostas inflamatórias. Isso acontece com frequência na região do pescoço, nas axilas e na virilha.
Na maioria das vezes, o aumento está relacionado a causas benignas.
Entretanto, um nódulo que persiste, cresce progressivamente ou aparece sem uma causa evidente merece avaliação médica.
Alguns linfomas e outros tipos de câncer podem provocar aumento dos linfonodos. Em determinadas situações, também podem ocorrer febre persistente, suor noturno intenso e perda de peso involuntária.
Esses sintomas não são exclusivos de câncer e podem surgir em infecções e outras doenças.
A localização, o tamanho, a consistência, a duração e os sintomas associados ajudam o profissional a decidir quais exames são necessários.
É importante não apertar repetidamente o nódulo nem tentar perfurá-lo.
Também não se deve presumir que uma íngua seja inofensiva apenas porque não dói. Por outro lado, a ausência de dor não significa que exista câncer.
O que fazer: procure avaliação se o nódulo persistir por algumas semanas, aumentar, ficar endurecido ou surgir sem explicação. A investigação pode incluir exame clínico, exames de sangue, imagens ou, em determinadas situações, biópsia.
O QUE A IMAGEM DO ABSORVENTE COM UMA MANCHA ESCURA PODE NOS ENSINAR?
A fotografia apresenta um absorvente com uma mancha de sangue escuro ou amarronzado.
A aparência do sangue menstrual pode variar ao longo do ciclo. O sangue mais escuro pode representar sangue que demorou mais tempo para sair do organismo e sofreu alterações naturais de cor.
Portanto, uma mancha marrom ou escura durante a menstruação não é, por si só, um sinal de câncer.
Entretanto, o sangramento precisa ser interpretado de acordo com o contexto.
Sangramento fora do período menstrual, após a relação sexual ou depois da menopausa merece avaliação, especialmente quando se repete.
Alterações no padrão menstrual também podem estar relacionadas a problemas hormonais, pólipos, miomas, infecções ou outras condições ginecológicas.
Em determinadas situações, o sangramento pode estar associado a doenças do colo do útero ou do endométrio.
A intensidade da mancha, isoladamente, não permite determinar a causa.
Também é importante considerar a possibilidade de gravidez em pessoas que possam engravidar, porque sangramentos durante a gestação exigem orientação apropriada.
Se houver possibilidade de gravidez acompanhada de dor abdominal intensa, tontura ou desmaio, procure atendimento urgente.
A cor do sangue não permite diagnosticar câncer. O mais importante é identificar se o sangramento é inesperado, persistente ou diferente do padrão habitual.
QUANDO UM SINTOMA DEVE SER INVESTIGADO COM URGÊNCIA?
Nem todas as alterações descritas exigem atendimento imediato. Algumas podem ser avaliadas em uma consulta programada, enquanto outras precisam de uma resposta mais rápida.
A diferença depende da intensidade, da evolução e dos sintomas associados.
Sangramento vaginal após a menopausa precisa de avaliação médica, embora nem sempre represente uma emergência hospitalar.
Um nódulo novo na mama deve ser investigado em tempo oportuno, mesmo quando não provoca dor.
Uma faixa escura nova na unha merece avaliação dermatológica, principalmente se estiver mudando.
Por outro lado, dificuldade intensa para respirar, perda de consciência, dor torácica importante, sangramento volumoso ou dor abdominal súbita e intensa podem exigir atendimento de emergência.
Não espere completar determinado número de dias quando os sintomas forem graves.
Também não é necessário apresentar vários sinais ao mesmo tempo para procurar ajuda. Um único sintoma persistente pode justificar investigação.
A melhor conduta é comunicar claramente o que mudou, quando começou e como evoluiu.
Essas informações ajudam o profissional de saúde a decidir quais exames são apropriados.
EXAMES PREVENTIVOS: UMA PARTE IMPORTANTE DO CUIDADO FEMININO
Conhecer os sinais de alerta é importante, mas não substitui o rastreamento recomendado para determinadas doenças.
O rastreamento procura identificar alterações em pessoas sem sintomas, de acordo com critérios definidos para cada doença.
No caso do câncer de mama, a mamografia pode ser indicada conforme a idade, o risco individual e as recomendações adotadas no sistema de saúde.
Para o câncer do colo do útero, o rastreamento pode incluir testes para HPV e outros métodos apropriados, conforme as diretrizes locais.
O rastreamento do câncer colorretal também pode ser recomendado para pessoas sem sintomas, com idade e frequência determinadas pelas orientações aplicáveis.
Esses exames não são iguais para todas as mulheres. O histórico familiar, as condições de saúde, os resultados anteriores e outros fatores podem modificar as recomendações.
Também é importante compreender que nenhum exame de rastreamento identifica todos os tipos de câncer e que resultados alterados nem sempre significam doença maligna.
A finalidade é reduzir o risco de diagnósticos tardios por meio de estratégias adequadas à população e ao risco individual.
A prevenção não consiste apenas em procurar sintomas: inclui manter o acompanhamento de saúde e realizar os exames indicados para cada fase da vida.
HISTÓRICO FAMILIAR: QUANDO ELE MUDA A AVALIAÇÃO DO RISCO?
O histórico familiar pode fornecer informações importantes sobre a probabilidade de desenvolver determinados tipos de câncer.
Ter um parente com câncer não significa que outra pessoa da família necessariamente desenvolverá a doença.
A maioria dos cânceres não é causada exclusivamente por uma alteração hereditária transmitida entre gerações.