A Mulher que Comprava 60 Quilos de Carne Todos os Dias: Quando a Polícia Abriu a Porta do Navio Abandonado, Ninguém Conseguiu Acreditar no que Encontrou

A Mulher que Comprava 60 Quilos de Carne Todos os Dias: Quando a Polícia Abriu a Porta do Navio Abandonado, Ninguém Conseguiu Acreditar no que Encontrou

Chapter 2

Tema:
Tamanho da fonte:
24px

Mihai ouviu sem interromper.

— Você tem certeza de que ela entrou naquela estrutura?

— Vi com meus próprios olhos.

— E ouviu alguma coisa?

O açougueiro hesitou.

— Ontem, quando passei perto da trilha, ouvi vozes. Muitas vozes. Pensei que fossem pessoas trabalhando, mas não havia veículos, nem luzes, nem qualquer sinal de atividade.

O sargento trocou um olhar com a policial Elena Marin, sua colega naquela investigação.

Os dois decidiram verificar o local.

A floresta estava úmida, e as folhas acumuladas sobre o caminho escondiam buracos e raízes. À medida que avançavam, o barulho da aldeia desaparecia. Restavam apenas o vento, os pássaros e o ruído das botas sobre a terra.

Quando chegaram à clareira, o navio parecia ainda maior do que Ovidiu havia descrito.

A estrutura fora construída para transportar mercadorias por vias fluviais. Depois de anos de abandono, a ferrugem tomara as laterais, e parte do convés estava coberta por tábuas apodrecidas.

Havia, entretanto, sinais recentes de atividade.

Uma trilha estreita havia sido limpa entre os arbustos. Próximo à entrada, encontraram caixas de plástico, recipientes vazios e marcas de pneus na terra.

Elena se abaixou para examinar uma das caixas.

— Isso não está aqui há muitos anos.

Mihai concordou.

Os dois avançaram até uma porta metálica na lateral do navio. Havia uma corrente antiga, mas ela não estava fechada. Do outro lado, uma luz fraca atravessava uma abertura.

Então ouviram o primeiro som.

Era uma tosse.

Depois, uma voz masculina.

— Lidia? Você voltou?

Elena olhou para o sargento.

A voz vinha de dentro.

Mihai bateu na porta.

— Polícia! Alguém pode nos ouvir?

O silêncio foi imediato.

Alguns segundos depois, passos apressados ecoaram pelo interior da estrutura. Algo pesado foi arrastado sobre o chão, seguido por um ruído metálico.

— Abram a porta — ordenou Mihai.

Ninguém respondeu.

Ele tentou a maçaneta. A porta estava bloqueada por dentro.

Elena se aproximou de uma janela estreita, cuja cobertura de madeira havia sido parcialmente removida. Com a lanterna, iluminou o interior.

Viu sacos de alimentos, uma mesa improvisada e várias panelas. Mais adiante, uma passagem conduzia a uma área completamente escura.

— Há alguém aí dentro — disse ela.

Mihai voltou a bater.

— Não queremos machucar ninguém. Precisamos conversar.

Uma voz feminina respondeu, trêmula:

— Por favor, vão embora.

O sargento reconheceu a voz.

Era Lidia.

— Senhora Popescu, estamos aqui porque precisamos entender o que está acontecendo. Se alguém estiver em perigo, podemos ajudar.

— Vocês não entendem.

— Então explique.

Houve uma longa pausa.

— Se entrarem, vão assustá-los.

A frase deixou Elena inquieta.

Quem eram aquelas pessoas? Por que estavam escondidas em um navio abandonado? E por que uma mulher idosa arriscava sua segurança para levar tanta comida até ali?

Mihai pediu reforços e orientou Elena a permanecer próxima à entrada enquanto ele verificava as outras passagens. Não queria arrombar a porta sem antes saber se havia pessoas feridas ou alguma situação que pudesse tornar a entrada perigosa.

Foi então que ouviram um ruído diferente.

Não era uma voz humana.

Parecia um gemido baixo, seguido por arranhões no chão.

Elena iluminou a abertura novamente.

Uma sombra se moveu atrás de algumas caixas.

Depois outra.

E mais outra.

De repente, algo bateu contra uma parede interna, fazendo a estrutura metálica vibrar.

O sargento recuou um passo.

— O que está acontecendo aí dentro?

Lidia respondeu com a voz embargada:

— Eles estão assustados. Por favor, não gritem.

A palavra eles permaneceu suspensa entre os policiais.

Mihai decidiu que precisava abrir a porta, mas ordenou que todos mantivessem distância e evitassem movimentos bruscos. A segurança de qualquer pessoa que estivesse no interior era prioridade.

Quando finalmente conseguiram deslocar o bloqueio e abrir a entrada, uma corrente de ar quente e úmido escapou do compartimento.

O cheiro era intenso: restos de comida, umidade, madeira velha e algo que lembrava um espaço ocupado durante muito tempo sem ventilação suficiente.

As lanternas iluminaram o chão.

Havia manchas, embalagens rasgadas, tigelas, cobertores e sacos vazios de carne.

Elena avançou devagar.

— Polícia. Estamos aqui para ajudar. Alguém está ferido?

Uma figura apareceu no fim do corredor.

Era Lidia.

Ela estava pálida, com as mãos manchadas de terra e os olhos vermelhos de tanto chorar.

— Eu avisei que não deveriam entrar — sussurrou.

Atrás dela, alguma coisa se moveu.

Depois vieram dezenas de sons simultâneos.

Latidos.

Não eram dois ou três cães.

Eram muitos.

Mihai levantou a lanterna e iluminou o interior do antigo compartimento de carga.

O que viu fez com que parasse de caminhar.

O espaço estava ocupado por cães de diferentes tamanhos, idades e condições físicas. Alguns estavam deitados sobre cobertores improvisados. Outros permaneciam próximos a recipientes vazios. Havia animais magros, cães idosos e filhotes amontoados junto a uma divisória.

Perto de uma parede, um grande cão castanho tentava proteger dois filhotes.

Ao fundo, uma área separada por grades improvisadas abrigava animais que pareciam ter dificuldade para caminhar.

Elena levou a mão à boca.

Não era uma instalação de criação profissional, nem um abrigo devidamente estruturado.

Era um esconderijo transformado em refúgio.

E Lidia estava alimentando todos aqueles animais praticamente sozinha.

Mas o que mais chamou a atenção dos policiais não foi o número de cães.

Foi o estado de alguns deles.

Havia animais que precisavam de atendimento veterinário urgente. Outros apresentavam sinais de desnutrição, ferimentos antigos ou doenças que exigiam avaliação especializada.

Aquele lugar não poderia continuar funcionando daquela maneira.

Mihai olhou para Lidia.

— Quantos são?

Ela tentou responder, mas a voz falhou.

— Trinta e sete quando comecei.

Elena voltou a olhar para os animais.

— E agora?

Lidia enxugou o rosto com a manga do casaco.

— Sessenta e dois.

O sargento permaneceu imóvel.

Sessenta e dois cães, em um navio abandonado, escondidos da aldeia.

Sessenta e dois animais que dependiam das compras diárias de uma mulher que mal conseguia carregar os próprios sacos.

— Por que não procurou ajuda? — perguntou Mihai.

Lidia olhou para os cães.

— Porque, se as pessoas descobrissem o que aconteceu aqui, alguns deles seriam levados embora. E eu prometi ao meu filho que não deixaria isso acontecer.

O nome do filho mudou a expressão do sargento.

— Andrei?

Lidia assentiu.

— Foi ele quem começou tudo.

E, pela primeira vez, ela parecia preparada para contar a história inteira.

CAPÍTULO 3 — O SEGREDO DE ANDREI: POR QUE LIDIA HAVIA TRANSFORMADO O NAVIO EM UM REFÚGIO

Dog rescuer 'numb' after facing unimaginable challenge: 'It doesn't feel real' - Yahoo News Australia

au.news.yahoo.com

Lidia pediu aos policiais que não se aproximassem dos cães de maneira brusca.

Alguns eram dóceis, mas outros tinham medo de estranhos. Um pastor alemão de pelo grisalho rosnava sempre que alguém chegava perto da divisória onde estavam os filhotes. Um cão pequeno, de patas tortas, tentava esconder a cabeça debaixo de um cobertor.

Elena percebeu que os animais não precisavam apenas de comida. Precisavam de cuidados, espaço e, acima de tudo, de uma avaliação veterinária.

Mihai pediu que a equipe entrasse em contato com os serviços responsáveis pelo bem-estar animal e com um veterinário da região. Não era possível deixar sessenta e dois cães naquele espaço sem verificar suas condições.

Enquanto aguardavam ajuda, o sargento pediu que Lidia se sentasse em um banco próximo à entrada.

Ela parecia exausta.

Pela primeira vez, não tentou esconder o rosto nem impedir que os policiais observassem o que havia ao redor.

— Tudo começou com um cachorro — disse.

A história de Andrei havia começado muitos anos antes.

Notícias da mesma categoria

A Mulher que Comprava 60 Quilos de Carne Todos os Dias: Quando a Polícia Abriu a Porta do Navio Abandonado, Ninguém Conseguiu Acreditar no que Encontrou

5 Part