“Pessoas noturnas”, ou aquelas que costumam ir dormir mais tarde por diversos motivos, podem apresentar piores desfechos de saúde cardiovascular em comparação com quem segue padrões tradicionais de sono.
Um novo estudo publicado em 28 de janeiro no Journal of the American Heart Association descobriu que pessoas noturnas apresentam maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC.
Os pesquisadores investigaram a relação entre o cronotipo, a doença cardiovascular (DCV) e fatores de risco comuns, como uso de nicotina, sono e níveis de atividade física, conforme definidos pelo modelo Life’s Essential 8, da American Heart Association.
Os cronotipos são categorias amplas que descrevem os padrões de sono e vigília das pessoas com base em seu relógio biológico interno, também conhecido como ritmo circadiano.
Há muito tempo os pesquisadores sabem que o sono insuficiente ou desregulado tem efeitos amplos no corpo, inclusive na saúde do coração. No entanto, o papel específico do cronotipo ainda não estava totalmente claro.

Embora apenas uma minoria das pessoas se identifique como “noturna” — aquelas que preferem dormir e acordar mais tarde —, essa preferência parece estar associada a uma pior saúde cardiovascular. O efeito foi ainda mais evidente entre as mulheres. Em contrapartida, as pessoas matutinas, conhecidas como “cotovias”, geralmente apresentaram melhor saúde cardíaca.
No entanto, há um lado positivo: a maior parte desse risco parece estar relacionada a fatores modificáveis, e não ao cronotipo em si. Em outras palavras, independentemente do horário em que você dorme, existem medidas concretas que podem melhorar a saúde do seu coração.
“O ponto principal não é que o cronotipo seja ‘bom’ ou ‘ruim’, mas que ser uma pessoa noturna costuma vir acompanhado de um perfil menos favorável de saúde cardiovascular”, disse Sina Kianersi, DVM, PhD, pesquisador de pós-doutorado no Brigham and Women’s Hospital/Harvard Medical School e autor principal do estudo, em entrevista ao Healthline.


Além disso, ela recomenda manter opções de alimentos saudáveis e lanches adequados disponíveis, além de limitar o consumo de alimentos ultraprocessados tanto em casa quanto durante o turno de trabalho.
Dispositivos vestíveis, como rastreadoras de atividade física, também podem ajudar, segundo Levin, pois além de monitorar passos diários, podem alertar sobre condições cardíacas como a fibrilação atrial. No entanto, eles não substituem avaliação e acompanhamento médico.
“A mensagem prática é proteger, sempre que possível, um sono consistente e suficiente, além de manter uma postura ativa em relação à saúde cardiovascular geral”, concluiu Kianersi.
“Também estamos estudando se a incompatibilidade entre cronotipo e horário de trabalho aumenta ainda mais o risco cardiovascular, mas são necessárias mais pesquisas antes de tirar conclusões definitivas sobre combinações específicas de cronotipo e trabalho em turnos.”