Terremoto de magnitude 9,1 e tsunami: a catástrofe que devastou comunidades costeiras e mudou a história do Japão
DESCRIÇÃO DO ARTIGO
Um terremoto de magnitude 9,1 pode desencadear uma das forças naturais mais destrutivas do planeta: um tsunami capaz de inundar cidades inteiras, arrastar veículos, destruir estradas e transformar comunidades costeiras em cenários de devastação. O Japão viveu uma tragédia dessa dimensão em 11 de março de 2011, quando um terremoto de magnitude 9,0, frequentemente arredondado para 9,1 em algumas referências, provocou ondas gigantes que atingiram a costa nordeste do país. Neste artigo, conheça como o desastre aconteceu, por que o tsunami foi tão devastador, o que ocorreu com os moradores e como a tragédia transformou a preparação para emergências no Japão e em outras regiões do mundo.
Nota: a imagem apresentada não comprova um acontecimento específico nem identifica, por si só, o local retratado. O artigo a seguir aborda o desastre real de Tōhoku, no Japão, em 2011, distinguindo os fatos históricos das imagens ilustrativas.
CAPÍTULO 1 — 11 DE MARÇO DE 2011: O DIA EM QUE A TERRA TREMEU DIANTE DA COSTA JAPONESA
Na tarde de 11 de março de 2011, o nordeste do Japão foi atingido por um terremoto que entrou para a história como um dos mais poderosos já registrados por instrumentos modernos.
O tremor ocorreu às 14h46, no horário local, no oceano Pacífico, próximo à costa da região de Tōhoku. Sua magnitude foi estimada em 9,0, embora algumas referências utilizem 9,1. A diferença decorre de estimativas e convenções de apresentação, não de dois terremotos distintos.
O evento começou em uma zona de subducção, onde a placa do Pacífico se desloca por baixo da placa que sustenta parte do Japão. Ao longo de décadas e séculos, o movimento entre essas placas acumula tensão. Quando uma grande parte da falha se rompe, a energia armazenada é liberada abruptamente, provocando um terremoto.
O que tornou esse evento tão extraordinário foi a dimensão da ruptura e o deslocamento do fundo oceânico.
Quando o leito marinho se move verticalmente, uma enorme coluna de água pode ser deslocada. Essa perturbação se propaga pelo oceano na forma de ondas de tsunami, que transportam energia por distâncias muito grandes.
Diferentemente das ondas comuns produzidas pelo vento, um tsunami pode envolver toda a coluna de água. Em águas profundas, ele pode atravessar o oceano com grande velocidade e apresentar uma altura relativamente pequena, tornando-se difícil de perceber visualmente por quem está em um barco.
Ao alcançar águas costeiras mais rasas, porém, a onda desacelera e sua altura pode aumentar consideravelmente.
Foi essa transformação que tornou o desastre de 2011 tão destrutivo.
O terremoto foi sentido em uma área extensa do Japão. Em grandes cidades, edifícios balançaram durante vários minutos, móveis foram deslocados e sistemas de transporte interrompidos. Em Tóquio, distante do epicentro, o tremor também provocou interrupções significativas, deixando milhares de pessoas sem condições imediatas de voltar para casa.
Nas comunidades mais próximas da costa, entretanto, o perigo não terminava quando o solo parava de tremer.
Pouco depois, alertas de tsunami começaram a ser emitidos. Autoridades orientaram a população a procurar terrenos elevados e áreas seguras. Em muitas localidades, sirenes e sistemas de comunicação transmitiram avisos, enquanto equipes de emergência tentavam organizar a evacuação.
Mas a dimensão do fenômeno superou as expectativas de muitas pessoas.
Alguns moradores conseguiram escapar rapidamente. Outros precisaram percorrer estradas congestionadas, ajudar familiares idosos ou abandonar suas casas com pouquíssimo tempo para decidir o que levar.
A dificuldade aumentava porque parte da população vivia em áreas costeiras baixas, próximas a portos, rios e planícies sujeitas a inundações.
O Japão possui uma longa história de terremotos e tsunamis. Por isso, o país desenvolveu sistemas de monitoramento, construções resistentes e programas de preparação para emergências. Mesmo assim, nenhum sistema de proteção consegue eliminar completamente os riscos de um evento de magnitude excepcional.
O terremoto de Tōhoku mostrou como uma catástrofe pode ultrapassar os cenários considerados mais prováveis durante o planejamento.
A força do tremor também provocou deslizamentos, danos a estradas e interrupções no fornecimento de eletricidade e água. Em várias regiões, as comunicações ficaram comprometidas justamente quando as informações eram mais necessárias.
Enquanto equipes tentavam avaliar a extensão dos danos, o oceano avançava sobre a costa.
Em questão de minutos, o desastre deixou de ser apenas um terremoto e se transformou em uma emergência de proporções nacionais.
O que aconteceu em seguida mudaria para sempre a vida de milhares de famílias e a maneira como o mundo compreende os riscos associados aos grandes terremotos submarinos.
CAPÍTULO 2 — AS ONDAS GIGANTES AVANÇARAM SOBRE CIDADES, E O CENÁRIO MUDOU EM MINUTOS
O primeiro sinal de que algo extraordinário estava prestes a acontecer foi a chegada dos alertas de tsunami. Em diversas comunidades, moradores receberam instruções para abandonar as áreas baixas e procurar terrenos elevados.
Para quem vivia próximo ao mar, o tempo disponível era precioso.
Algumas pessoas seguiram imediatamente para colinas e edifícios designados como abrigos. Outras tentaram buscar parentes, retirar crianças das escolas ou ajudar vizinhos que tinham dificuldades para se locomover.