Os cálculos biliares são uma doença comum que afeta de 8 a 10% da população. Aqui estão os sintomas e tratamentos

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1. O que causa cálculos biliares?

Os cálculos biliares são massas sólidas que se formam na vesícula biliar ou no ducto biliar (um sistema semelhante a dutos localizado no fígado). Eles podem variar muito de tamanho — desde partículas pequenas como pedrinhas até objetos do tamanho de uma bola de golfe. Os cálculos menores costumam causar mais problemas, pois podem se deslocar e ficar presos na vesícula, enquanto os maiores geralmente permanecem ali.

Os cálculos biliares são divididos em dois tipos principais: cálculos de colesterol e cálculos pigmentares.

  • Cálculos de colesterol são formados principalmente pelo componente de colesterol presente na bile. Esse tipo é comum em países ocidentais, representando de 80% a 85% dos casos. Estudos no Vietnã mostram que os cálculos de colesterol representam apenas 30% a 50% dos casos. Eles são mais frequentes em pessoas obesas, em mulheres (o dobro em relação aos homens), em pessoas que seguem uma dieta ocidental e em quem usa pílulas anticoncepcionais com estrogênio.

  • Cálculos pigmentares geralmente são causados por infecções das vias biliares, hemólise, cirrose, inflamação ou ressecção do íleo (a parte final do intestino delgado).

A causa dos cálculos biliares costuma estar relacionada ao metabolismo: quando a concentração de colesterol na bile é muito alta, formam-se cristais, que posteriormente dão origem aos cálculos.

Cálculos biliares são massas sólidas que se formam na vesícula biliar ou no ducto biliar.


2. Sintomas dos cálculos biliares

Cerca de 30% dos casos apresentam sintomas. O mais comum é a cólica biliar (86%), com as seguintes características:

  • Crises de dor isoladas que duram de 30 minutos a várias horas.
    A dor aparece na região epigástrica ou no abdômen superior direito. Em muitos casos, a dor é mais intensa no epigástrio, o que pode ser confundido com úlcera gástrica ou duodenal.

  • A dor é forte e contínua, podendo até interromper a respiração do paciente.
    Costuma surgir algumas horas após as refeições ou durante a noite, muitas vezes acordando a pessoa.

Outros sintomas incluem dor nas costas, dor no abdômen superior esquerdo, náuseas, vômitos e distensão abdominal (má digestão após alimentos gordurosos).


3. Tratamento dos cálculos biliares

Todos os casos com sintomas devem ser tratados, independentemente do tamanho ou número de cálculos.

Para cálculos biliares assintomáticos, o papel da colecistectomia (retirada da vesícula) e de outros métodos ainda é incerto. Estudos sobre a evolução natural da doença mostram que não é necessário realizar cirurgia preventiva, exceto em pacientes com alto risco de câncer de vesícula biliar, como nos casos de:

  • Vesícula em porcelana

  • Cálculos associados a pólipos maiores que 10 mm

  • Cálculos maiores que 25 mm, entre outros.

Atualmente, existem dois tipos de tratamento: não cirúrgico e cirúrgico.

✅ Tratamentos não cirúrgicos incluem:
uso de medicamentos para dissolver os cálculos, ondas de choque para fragmentá-los, dissolução e remoção percutânea, e remoção através de endoscopia.
Porém, os resultados desses métodos são limitados, pois dependem do tipo e tamanho dos cálculos, além da anatomia das vias biliares. Outro ponto em comum é que esses métodos mantêm a vesícula intacta — local onde novos cálculos podem se formar — o que reduz a eficácia a longo prazo.

✅ Tratamento cirúrgico inclui colecistectomia aberta e colecistectomia por laparoscopia.

Após a retirada da vesícula, os pacientes não precisam tomar medicamentos digestivos adicionais, pois o fígado continua produzindo bile suficiente.

Algumas pessoas podem ter dificuldade para digerir alimentos gordurosos e ovos. Por isso, o ideal é evitar esse tipo de alimento durante os 3 primeiros meses após a cirurgia, para que o corpo se adapte à nova reserva de bile.
A diarreia pós-operatória é rara e, quando ocorre, geralmente melhora após algumas semanas.

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