Sim, a saliva desempenha um papel fundamental na proteção dos dentes, mas isso não significa que consiga reconstruir qualquer dano.
Ela ajuda a neutralizar os ácidos produzidos pelas bactérias, remove parte dos resíduos alimentares e fornece minerais, como cálcio e fosfato, que participam do processo de remineralização do esmalte.
Quando uma lesão de cárie ainda está no início e a superfície permanece intacta, esses mecanismos naturais, combinados com o uso de flúor e o controle da placa, podem ajudar a interromper o processo e recuperar parte dos minerais perdidos.
A situação é diferente quando já existe uma cavidade.
O esmalte não possui células capazes de reconstruir uma estrutura que foi destruída e perdida. A saliva pode ajudar a proteger as regiões remanescentes do dente, mas não consegue preencher um buraco profundo ou restaurar a anatomia original.
Manter uma boa hidratação, controlar fatores que provocam boca seca e evitar a exposição frequente a açúcares são medidas que favorecem o ambiente bucal.
Pessoas que utilizam medicamentos associados à redução da saliva ou que apresentam secura bucal persistente devem conversar com um profissional de saúde para investigar as causas e receber orientações específicas.
7. Como saber se uma cárie ainda está no início?
Nem sempre é possível identificar a gravidade de uma cárie apenas olhando para o dente. Algumas lesões aparecem na superfície, enquanto outras se desenvolvem entre os dentes ou em regiões que não podem ser observadas facilmente.
Ainda assim, determinados sinais merecem atenção.
Manchas brancas opacas: podem indicar desmineralização inicial do esmalte, embora outras condições também possam produzir alterações semelhantes.
Manchas marrons ou pretas: podem estar relacionadas a cáries, mas também podem resultar de pigmentação ou de outras alterações dentárias. A cor, isoladamente, não determina a profundidade da lesão.
Sensibilidade ao frio, ao calor ou a alimentos doces: pode indicar alterações no dente, mas também pode ter outras causas, como retração gengival, desgaste ou exposição da dentina.
Buracos ou superfícies irregulares: podem sugerir perda de estrutura dentária e precisam ser avaliados por um dentista.
Dor espontânea ou persistente: pode indicar comprometimento mais profundo e exige atenção profissional, especialmente quando vem acompanhada de outros sintomas.
O dentista pode examinar o dente e, quando necessário, solicitar radiografias para identificar lesões que não são visíveis diretamente.
Não espere a dor aparecer para procurar atendimento. Algumas cáries podem avançar consideravelmente antes de provocar sintomas.
8. O que fazer quando já existe um buraco no dente?
Quando a cárie provoca uma cavidade, o tratamento depende da extensão da lesão e das condições do dente.
Em muitos casos, o dentista remove ou controla o tecido comprometido conforme a técnica indicada e restaura a área com um material apropriado. Dependendo da localização e do tamanho da cavidade, diferentes abordagens podem ser consideradas.
Em determinadas lesões profundas, pode ser possível utilizar técnicas conservadoras para preservar o máximo possível da estrutura dentária saudável.
Se a cárie atingir a polpa, que contém nervos e vasos sanguíneos, o tratamento pode exigir procedimentos adicionais, como tratamento de canal. Em situações específicas, quando o dente não pode ser recuperado, pode ser necessária a extração.
Nem toda cárie exige o mesmo procedimento. Por isso, o tratamento deve ser definido após avaliação clínica.
Tentar remover a parte escura com objetos, raspar o dente ou colocar substâncias domésticas dentro da cavidade pode provocar lesões, aumentar a contaminação ou atrasar o tratamento necessário.
Se você percebeu um buraco, marque uma consulta odontológica mesmo que a dor ainda não exista.
9. A alimentação pode ajudar a prevenir novas cáries?
A alimentação tem influência importante na saúde dos dentes. Uma das medidas mais úteis é reduzir a frequência com que os dentes são expostos ao açúcar.