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Chapter 2

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Em situações como essa, decisões tomadas em poucos minutos podem determinar a sobrevivência. O problema é que nem sempre é fácil abandonar uma casa onde estão documentos, medicamentos, dinheiro e lembranças de toda uma vida.

Além disso, algumas pessoas acreditavam que as barreiras costeiras e os sistemas de proteção seriam suficientes para conter a água.

Em determinadas localidades, a primeira onda ou o primeiro sinal de inundação não revelou toda a dimensão do perigo. Tsunamis podem chegar em uma sequência de ondas, e a primeira nem sempre é a maior. O nível da água também pode oscilar, com correntes intensas que continuam perigosas muito depois da chegada inicial.

Na costa de Tōhoku, a água avançou sobre portos, estradas, áreas industriais e bairros residenciais.

O que apareceu diante dos moradores não se parecia com uma onda convencional quebrando na praia. Em muitos locais, a inundação se comportou como uma enorme massa de água em movimento, carregando tudo o que encontrava pelo caminho.

Carros foram arrastados de estacionamentos e ruas. Barcos foram deslocados para dentro de áreas urbanas. Estruturas de madeira, pedaços de edifícios e objetos domésticos se misturaram à água e à lama.

A força destrutiva não dependia apenas da altura da onda.

A correnteza podia exercer enorme pressão sobre paredes e fundações. Mesmo construções que inicialmente resistiam ao impacto poderiam sofrer danos quando a água entrava por diferentes lados ou quando objetos pesados atingiam sua estrutura.

Pontes foram danificadas, estradas desapareceram sob a inundação e áreas inteiras ficaram isoladas.

Em algumas comunidades, os moradores que conseguiram alcançar pontos elevados observaram a água avançar por ruas que, minutos antes, faziam parte da rotina cotidiana. Casas foram deslocadas de suas fundações, veículos ficaram presos entre destroços e campos agrícolas foram cobertos por água salgada e sedimentos.

O impacto humano foi devastador.

Famílias perderam contato umas com as outras. Pessoas que haviam conseguido escapar não sabiam se seus parentes estavam seguros. Os serviços de emergência precisavam atender múltiplas localidades ao mesmo tempo, enquanto as próprias equipes enfrentavam dificuldades para circular pelas regiões afetadas.

O tsunami também atingiu áreas protegidas por estruturas costeiras. Embora essas barreiras tenham reduzido alguns impactos em determinadas localidades, não foram suficientes para impedir a inundação em muitos dos lugares mais severamente atingidos.

Isso não significa que as defesas costeiras sejam inúteis. Elas podem reduzir riscos em determinados cenários. Entretanto, seu desempenho depende de fatores como altura, localização, manutenção e magnitude do evento. Uma proteção projetada para determinado nível de inundação pode ser ultrapassada por um fenômeno excepcional.

Outro fator importante foi a geografia da região.

Baías, enseadas, planícies costeiras e a configuração do fundo marinho podem influenciar a maneira como a energia de um tsunami se concentra e avança sobre a terra. Por isso, a altura da água e a extensão da inundação variaram significativamente de uma localidade para outra.

Em alguns pontos, a água avançou muitos quilômetros para o interior, seguindo vales, rios e planícies.

A inundação não respeitou os limites das ruas nem as divisões entre áreas residenciais e industriais. O que antes era uma cidade organizada transformou-se em um ambiente coberto por lama, madeira, veículos e fragmentos de construções.

Quando a água começou a recuar em determinados lugares, deixou para trás um cenário igualmente perigoso. Destroços instáveis, cabos elétricos, produtos químicos, estruturas danificadas e áreas contaminadas dificultavam a circulação.

Os sobreviventes precisavam encontrar abrigo, água potável, alimentos e informações confiáveis.

Em muitas localidades, o fornecimento de eletricidade foi interrompido. As redes telefônicas ficaram sobrecarregadas ou foram danificadas. Hospitais e centros de atendimento precisaram operar em condições difíceis, enquanto equipes de resgate procuravam pessoas desaparecidas.

A magnitude da catástrofe também tornou evidente que a recuperação não seria uma questão de dias.

Mesmo depois que as águas baixaram, milhares de pessoas permaneceram sem moradia ou sem acesso aos serviços básicos. Estradas destruídas dificultavam a entrega de suprimentos, e a falta de informações sobre familiares desaparecidos aumentava a angústia.

O tsunami de 2011 não foi apenas uma demonstração da força do oceano. Foi também uma prova de como um desastre natural pode comprometer simultaneamente moradia, transporte, saúde, comunicação e segurança.

E, enquanto equipes de resgate procuravam sobreviventes, uma nova emergência começava a se desenvolver em uma instalação que se tornaria central para a história daquele dia: a usina nuclear de Fukushima Daiichi.

CAPÍTULO 3 — FUKUSHIMA: A SEGUNDA EMERGÊNCIA QUE TRANSFORMOU UMA TRAGÉDIA EM CRISE NUCLEAR

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Enquanto o Japão enfrentava a devastação provocada pelo terremoto e pelo tsunami, outra situação preocupante se desenvolvia na usina nuclear de Fukushima Daiichi.

A instalação, localizada na costa da província de Fukushima, havia sido construída para produzir eletricidade utilizando reatores nucleares. Como outras usinas desse tipo, possuía sistemas de segurança destinados a interromper a reação nuclear e manter o combustível resfriado em caso de emergência.

Quando o terremoto começou, os reatores que estavam operando interromperam automaticamente a reação nuclear em cadeia. Esse procedimento é conhecido como desligamento automático e constitui uma parte essencial da segurança de instalações nucleares.

Entretanto, desligar um reator não significa que ele deixe imediatamente de produzir calor.

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