
Um caso raro de envenenamento por nitrito: urina azul após tratamento
Certa noite, não muito tempo atrás, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Dongde, afiliado à Universidade Médica de Zhejiang (China), recebeu um paciente de 25 anos. Todo o corpo e os lábios estavam cianóticos, e ao chegar ao hospital ele já estava em coma profundo. Durante o tratamento, a urina do paciente adquiriu uma cor azul incomum.
Exames médicos revelaram:
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Saturação de oxigênio no sangue: apenas 64% (normal >95%);
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Pressão arterial: 70/40 mmHg (muito baixa);
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Concentração de meta-hemoglobina (hemoglobina oxidada): 75% (normal <2%);
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Coração e cérebro em estado grave de hipóxia;
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Urina e líquidos gástricos anormalmente azuis.
Após investigar o histórico clínico, os médicos descobriram que o paciente havia ingerido acidentalmente cerca de 50 mg de nitrito, uma substância altamente tóxica.
Tratamento imediato: o paciente recebeu suporte respiratório e o antídoto específico, azul de metileno, combinado com altas doses de vitamina C para acelerar a desintoxicação, sendo transferido para a UTI para monitoramento contínuo.
Após uma noite de tratamento de emergência, a saturação de oxigênio voltou para 95%, a cor da pele retornou ao normal e a necessidade de medicamentos para pressão arterial foi reduzida.
Por que a urina ficou azul?
Segundo os médicos:
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O nitrito é um termo geral para compostos como nitrito de sódio, nitrito de potássio e nitrito de cálcio — todos extremamente tóxicos, conhecidos como “assassinos invisíveis”. Apenas 0,2 a 0,5 gramas podem ser fatais.
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O nitrito oxida a hemoglobina em meta-hemoglobina, que não transporta oxigênio, resultando em hipóxia sistêmica. Casos graves podem levar a choque, insuficiência respiratória e morte.
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O azul de metileno, de cor azul, ao entrar no corpo é metabolizado pela enzima NADPH em uma forma incolor chamada leuco-azul de metileno, que ajuda a reconverter a meta-hemoglobina em hemoglobina normal. O excesso do medicamento é excretado na urina, dando-lhe coloração azul ou turquesa temporária — sinal de que o tratamento foi eficaz, não motivo de preocupação.
Sinais clínicos de envenenamento por nitrito
Um caso semelhante já havia sido registrado: um homem de 73 anos, em Ningbo (China), ficou roxo após comer vegetais em conserva feitos em casa, contaminados por nitrito.
Principais sintomas:
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Neurológicos: tontura, fadiga, frio intenso, dormência nas mãos e pés. Casos graves incluem respiração acelerada, inquietação, convulsões e coma.
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Gastrointestinais: náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia.
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Cianose: lábios arroxeados, que podem se estender para língua, unhas, conjuntiva, face, membros e até todo o corpo. Em casos severos, há dificuldade respiratória, convulsões, pressão baixa, arritmias e até perda de controle urinário e fecal. Sem tratamento imediato, pode haver insuficiência respiratória e morte.
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Outros sintomas: falta de oxigênio pode causar edema cerebral e hemorragia retiniana, levando à perda de visão, queda das pálpebras e dificuldade de movimentar os olhos.
Atenção ao nitrito no dia a dia
Embora seja usado como aditivo alimentar (ex.: conservação de carnes), o excesso transforma o nitrito em veneno letal.
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Ao converter hemoglobina em meta-hemoglobina, o corpo deixa de transportar oxigênio, causando hipóxia generalizada. Sem socorro rápido, órgãos vitais (coração, fígado, rins, pulmões, intestinos) podem falhar, levando a coma, parada cardíaca e respiratória.
Recomendações médicas
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Nitrito industrial (usado em construção, cura de carnes) se parece com sal de cozinha — deve ser sempre bem rotulado e nunca ingerido.
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Verduras deixadas de um dia para o outro e conservas mal fermentadas podem gerar nitritos. Devem ser refrigeradas e consumidas em até 24 horas.
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Em caso de ingestão acidental: provocar vômito imediatamente e levar a pessoa ao hospital. Beber leite ou leite de soja pode reduzir temporariamente a absorção da toxina.