Health 24/05/2026 16:42

Gases em excesso podem estar relacionados à alimentação, intolerâncias ou distúrbios digestivos

⚠️ Se isso acontece todos os dias, talvez seja hora de prestar mais atenção ao intestino

Embora aumentos ocasionais na produção de gases possam ser inofensivos, a flatulência excessiva e persistente — especialmente quando acompanhada de outros sintomas como inchaço, dor abdominal, alterações no ritmo intestinal ou odor muito forte — pode indicar problemas mais profundos no trato gastrointestinal (GI). Veja o que a ciência diz sobre o que pode estar acontecendo dentro do seu corpo:

1. Disbiose intestinal: desequilíbrio da microbiota

O intestino humano abriga trilhões de bactérias que auxiliam na digestão. Quando esse ecossistema delicado é desequilibrado — devido ao uso de antibióticos, má alimentação, estresse ou doenças — pode ocorrer o crescimento excessivo de bactérias produtoras de gases.

Uma revisão de 2020 publicada na Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology explica que a disbiose pode levar à fermentação excessiva de carboidratos no cólon, produzindo mais hidrogênio, metano e dióxido de carbono — o que resulta em flatulência. A produção excessiva de metano, em particular, está associada à lentidão do trânsito intestinal e à constipação.

2. Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO)

O SIBO ocorre quando bactérias que normalmente vivem no intestino grosso passam a colonizar o intestino delgado. Esses microrganismos fermentam os alimentos antes que eles sejam devidamente digeridos, causando inchaço, gases, diarreia e até deficiências nutricionais.

De acordo com um estudo de 2017 publicado no World Journal of Gastroenterology, o SIBO é significativamente subdiagnosticado, mas afeta até 15% de indivíduos saudáveis e até 80% das pessoas com síndrome do intestino irritável (SII).



Early life gut dysbiosis and inflammatory bowel diseases



Myths and Facts about Food Intolerance: A Narrative Review

3. Intolerâncias alimentares e má absorção

Intolerância à lactose, má absorção de frutose e sensibilidade ao glúten estão entre as causas mais comuns de excesso de gases. Quando açúcares não digeridos chegam ao cólon, as bactérias os fermentam intensamente, produzindo grandes quantidades de gases.

Um estudo de 2013 publicado na Neurogastroenterology & Motility constatou que indivíduos com intolerância à frutose apresentaram taxas significativamente mais altas de inchaço, flatulência e dor abdominal após consumir alimentos comuns como maçãs, mel ou xarope de milho rico em frutose.

4. Baixa produção de enzimas digestivas

Com o envelhecimento ou devido à insuficiência pancreática, o corpo pode produzir menos enzimas digestivas, especialmente amilase, lipase e lactase. Sem enzimas suficientes, os alimentos não são devidamente quebrados no intestino delgado, o que leva à fermentação no cólon.

Isso resulta em maior produção de gases e, em alguns casos, esteatorreia (fezes gordurosas e com odor forte). Pancreatite crônica e doença celíaca também podem prejudicar a produção de enzimas.

5. Excesso de fibras ou mudanças repentinas na dieta

As fibras são essenciais para a saúde intestinal, mas um aumento súbito — especialmente a partir de feijões, vegetais crucíferos ou grãos integrais — pode sobrecarregar a microbiota intestinal. Um estudo de 2011 publicado no Clinical Gastroenterology and Hepatology demonstrou que pessoas em dietas ricas em fibras relataram significativamente mais gases e desconforto, especialmente nas primeiras semanas.



6. Doenças gastrointestinais subjacentes

A flatulência excessiva também pode ser um sinal precoce de alerta de condições como:

  • Síndrome do Intestino Irritável (SII) – caracterizada por alterações do hábito intestinal, dor e excesso de gases devido à hipersensibilidade visceral e alterações da motilidade intestinal.

  • Doença Celíaca – resposta autoimune ao glúten que danifica o revestimento intestinal, levando a gases, inchaço e má absorção de nutrientes.

  • Doença Inflamatória Intestinal (DII) – inclui a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, ambas capazes de causar produção anormal de gases devido à inflamação e alterações da flora intestinal.

Quando procurar um médico

Se a flatulência excessiva vier acompanhada de qualquer um dos seguintes sinais, é hora de procurar orientação médica:

  • Inchaço crônico ou intenso

  • Perda de peso inexplicada

  • Diarreia ou constipação persistentes

  • Fadiga ou deficiências nutricionais

  • Mudança súbita nos hábitos intestinais

Esses sintomas podem indicar problemas digestivos subjacentes que exigem tratamento, exames (como o teste respiratório para SIBO) ou ajustes na alimentação.

Soltar gases é normal — mas fazê-lo mais de 25 vezes por dia, de forma consistente, pode não ser. É a maneira do seu corpo dizer: “algo não está certo.” Em vez de apenas mascarar o odor ou culpar a dieta, vale a pena ouvir o que o seu intestino está tentando comunicar. Ele pode estar pedindo equilíbrio, atenção ou cuidado profissional.

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