A identificação pode exigir um exame oftalmológico, especialmente quando há suspeita de blefarite associada ao Demodex.
Durante a avaliação, o profissional pode observar as margens das pálpebras com instrumentos de ampliação. Um dos sinais que pode levantar suspeita é a presença de pequenas estruturas semelhantes a mangas ou cilindros esbranquiçados ao redor da base dos cílios, conhecidas como colaretes.
Esses colaretes podem ser um indício importante de blefarite relacionada ao Demodex, embora a avaliação completa continue sendo necessária.
Portanto, a existência desses organismos nos cílios é uma possibilidade real, mas não significa que todas as pessoas tenham uma doença ocular ou precisem realizar algum tratamento.
Dormir com outra pessoa provoca a presença desses ácaros?
Essa é uma das questões mais importantes para interpretar corretamente a chamada que acompanha a imagem.
A convivência próxima pode facilitar a exposição a diferentes microrganismos e possivelmente contribuir para a transferência de Demodex entre pessoas. No entanto, não é correto afirmar que dormir com um parceiro ou parceira seja, por si só, uma causa comprovada de infestação problemática.
Esses ácaros são comuns na população humana, e sua presença está relacionada a diversos fatores, incluindo idade, características da pele e condições locais dos folículos.
Compartilhar uma cama não significa que a pessoa desenvolverá blefarite, rosácea ou qualquer outra doença.
Também não há fundamento para considerar a presença desses organismos uma prova de falta de higiene. Pessoas que cuidam adequadamente da pele podem apresentar Demodex, assim como pessoas que não têm sintomas podem abrigá-los naturalmente.
O mais importante é não transformar um fenômeno biológico comum em motivo de vergonha, medo ou desconfiança dentro de um relacionamento.
Se houver sintomas persistentes nos olhos ou na pele, o caminho adequado é buscar avaliação profissional, e não presumir que o problema tenha sido transmitido por alguém.
Quando os ácaros podem causar problemas?
Embora muitas pessoas não apresentem sintomas, uma concentração elevada de Demodex pode estar associada a determinadas condições dermatológicas e oculares.
Uma das manifestações mais conhecidas é a blefarite associada ao Demodex, uma inflamação das margens das pálpebras.
Nessa situação, a presença dos ácaros pode estar relacionada a irritação, alterações na base dos cílios e inflamação local. Os sintomas variam de uma pessoa para outra e podem se confundir com os de outras doenças oculares.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
-
Coceira persistente nas pálpebras.
-
Vermelhidão nas margens dos olhos.
-
Sensação de ardência ou desconforto.
-
Formação de pequenas crostas na base dos cílios.
-
Sensação de areia ou corpo estranho nos olhos.
-
Ressecamento e irritação ocular.
-
Perda ou crescimento irregular dos cílios em casos mais complicados.
Nenhum desses sintomas confirma isoladamente a presença de Demodex. A blefarite também pode estar relacionada a bactérias, disfunção das glândulas de Meibômio, dermatite seborreica e outras condições.
Por isso, uma avaliação oftalmológica pode ser necessária para estabelecer a causa e indicar o tratamento mais adequado.